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O INÍCIO DO FIM
Esses dias têm sido esquisitos, na família. É como se estivéssemos sofrendo uma ronda de ares negativos, algo que - embora eu não acredite no sobrenatural - adquire certas conotações estranhas.
Pra citar alguns fatos, vou dar três exemplos. No primeiro caso, a minha mãe, enquanto faz algumas atividades em casa, tem ouvido vozes do tipo, "Angela, vem cá"... "Alguém aí?", como alguém familiar, que chama da porta de casa. Num outro exemplo, um tio meu sonhou durante cinco dias seguidos com um outro tio, falecido há cinco anos (detalhe: esses cinco dias foram exatamente os cinco que o meu tio falecido esteve agoniado no leito de morte e, enfim, partiu, em fevereiro de 2000). Um terceiro fato, que aconteceu diretamente comigo (e que, sinceramente, até agora me dá arrepios) foi o fato de a minha avó ter vindo aqui em casa e perguntado: "mamãe passou aqui, hoje?". Tal pergunta pareceria banal, se sua mãe, minha saudosa bisavó, não tivesse falecido há mais de 60 anos.
O clima de pesar recaiu sobre a família recentemente quando nos foi dado o diagnóstico de que esta minha avó, nossa matriarca, única remanescente de sua geração, sofre do mal de Alzheimer. E, a qualquer pessoa que a conhece, é claramente sensível a diferença com que ela tem se comportado. Ela mora sozinha - por decisão própria -, e tem conseguido manter uma boa qualidade de vida assim, com uma vida tranqüila, filhos por perto, e cuidado pessoalmente de seus interesses, mas a demência típica da idade, quase 80, somado a uma fase de piora em algumas atividades propriamente mentais, têm tirado o sono e mudado o comportamento de alguns membros da família.
Em certos casos, é difícil conter o medo, mesmo o medo do inevitável. Mais de uma vez minha mãe caiu na bebedeira, e chorar por noites sentindo-se culpada pelo fato de minha avó "viver na solidão". Como neto mais próximo dela, ao menos as críticas não recaem a mim nessas horas. Numa família sem luxos, mas também sem necessidades, em que da minha geração muitos tiveram até problemas com drogas, e eu sou raro exemplo de quem faz (farei agora) curso superior, adquiri um pouco de respeito - vital, levando-se em conta que a família é muito dividida.
Tem sido mostrado na novela das oito, eu pude reparar, o exemplo, interpretado pela Glória Menezes, de uma pessoa que sofre do mal de Alzheimer. Dentre suas mais comuns gafes, está o fato de confundir o marido atual com um antigo. O que pra um telespectador desatento pode até soar "engraçado" - já ouvi mais de uma vez o comentário de que, por esse fato ridiculo, o marido dela é corno -, na verdade trata-se de um problema seríissimo, que atinge pelo menos 1 milhão de brasileiros. Alguns de nós tem especialmente estudado o Alzheimer, constatado seus principais sintomas, buscando formas de como se tratar quem sofre desse mal, rumo ao fim inexorável - o Alzheimer pode permitir de 8 a 14 anos de vida, no máximo.
Hoje, se nós vamos à casa de minha avó deixar os remédios pra ela tomar, diariamente, minutos depois ela volta questionando se nós (!) o tomamos.
Maior conquista de minha vida pessoal, farei um curso superior, enfim. Pena que ela não pôde compartilhar essa alegria. Informada sobre minha aprovação, ela apenas acenou com a cabeça. "É..."
Minha irmã, que mora com a família paterna, nunca visitou a minha avó. Eu e minha mãe sempre esperamos um momento especial para trazê-la. Nem sempre deu. E, dificilmente, o encontro, mesmo vindo a acontecer, teria a mesma magia de antes. Minha avó, quando visse minha irmã, demoraria a "se tocar" disso. Pior: talvez nem lembrasse. Numa família nem um pouco unida, a presença matriarcal dela era como um elo de ligação, entre os parentes. Com a sua morte, neste momento, ficaria extremamente difícil a convivência.
Há poucas horas, fui na casa da minha avó, e ela me pediu pra tirar uma dúvida:
- Eu tenho sentido tão próxima, a presença de mamãe (pra lembrar: minha bisavó morreu há 60 anos). É como se ela estivesse aqui em casa. É como quando você sabe que tem mais alguém dentro de casa. Sinto essa coisa, fisicamente. Mas quando penso em me virar, procurar, falar com ela, só então me vem à cabeça que ela está morta, há muito tempo. Por que isso acontece? Porque sinto a presença de mamãe tão viva, aqui?
É fácil responder a isso?
Escrito por Leon K. às 03h45
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O RETORNO
Cá estou eu, de volta! Demorou, mas enfim voltei a dar as caras por estas bandas. Inicialmente queria pedir desculpas, a quem por acaso tenha freqüentado este ambiente ultimamente, sem encontrar nada de novo em duas semanas. Eu, além de ter passado por uns momentos complicados, ainda tive de aturar o fato de meu computador dar pau de novo (na terceira vez em dois meses).
De qualquer forma, eu tô aqui de volta, e gradativamente o blog irá voltar ao seu estado normal de receber posts quase diariamente. Mas, pra mantê-los a par da situação, o problema agora é outro: é que a conta do UOL que uso (e que mantém o blog no ar) é a de minha mãe. Mas como nós estamos um pouco inadimplentes (tamos devendo uns... 60 reais - fruto do pouco uso, que, ao ver da minha progenitora, tornam desnecessários os pagamentos), provavelmente o contrato será cancelado. E provavelmente faremos uma nova conta (desta vez em meu nome).
Não sei que vantagens pode-se considerar, inicialmente. mas talvez esse blog seja desativado. Talvez eu precise de um novo endereço. Mas há formas de transferir o conteúdo. Mesmo assim, espero que eu esteja bem longe dos 50mb de espaço que o UOL oferece.
NO OUTRO LADO DA FAMA
Vamos dar um giro rápido no que tá acontecendo, hein? Acho que todo mundo tá bem informado sobre o caso de Michael Jackson, não? Por sinal, fato principal do fato de não se conseguir tão facilmente um corpo de algumas pessoas como jurado para o caso. Lembro de como eu via o Michael Jackson. Naquela época, pra mim - e pra meio mundo - esse nome já representava mais que um astro, uma pessoa. Esse nome era praticamente uma entidade. Abrangia o que havia de melhor e mais inovador no pop. Michael Jackson é um exemplo claro, tal como John Lennon de que o pop não poupa ninguém.
Ex-astro pop, Michael Jackson vive hoje quase um calvário. Cazuza foi bem profético: os que o admiram hoje são os que o lincharão amanhã
Mas eu, embora não seja fã incondicional, tenho bastante admiração pelo lado não-pop star de Michael. E concordo quando ele diz que é perseguido. É uma história que qualquer pessoa pode compreender bem, afinal exemplos não faltam de personalidades veneradas hoje e escurraçadas amanhã. Ele dorme com crianças. É acusado de abusar sexualmente delas. Claro que se eu defender por defender essa atitude ninguém haveria de concordar. Hoje, alguns conceitos de moralidade estão muito enterrados, numa profundidade que torna difícil mudar, e simplesmente tocar no assunto é delicado. Você ganha ares de monstruosidade. Numa sociedade que se alimenta de preconceitos nem quem já foi unanimidade - e talvez justamente por esse fator - não merece crédito algum.
 Alvo de chacotas, denúncias infundadas, caricaturas ofensivas e críticas invejosas pela sua "esquisitice": É, Jack... seu tempo passou.
O PONTÍFICE (QUASE) NOCAUTEADO
Não querendo desmerecer quem siga o catolicismo. Não é uma ofensa aos fiéis. E sim a esta personalidade, que mantém a Igreja subordinada a um punhado de lições preconceituosas e conservadoras. São poucos os católicos hoje que seguem à risca o que diz sua Igreja.
Embora nunca seja um ato nobre desejar a partida de alguém, talvez para esta figura, um dia chamada de Karol Wojtyla, se um dia ela saísse de cena, faria mais bem do que mal. Essa hora quase havia chegado.
QUE TIMES SÃO ESSES? A saga de clubes pequenos que conquistaram ascenção (por vezes meteórica) no futebol brasileiro
Antes era bem mais esporádico. A primeira vez que aconteceu foi em 1959, quando o Bahia conquistou a Taça Brasil, então o primeiro torneio interclubes efetivamente nacional. Quase vinte anos depois, a Ponte Preta disputava finais do Paulistão e colocava craques na Seleção Brasileira, e o Guarani conquistava o título nacional mais importante, em 1978. Em 1985, foi histórico: um Maracanã lotado para aquele que seria o jogo mais importante do ano: a final do Campeonato Brasileiro. Quais clubes o disputariam? Coritiba e Bangu. Este último, após vencer nas semifinais o Brasil - não a Seleção, mas um clube pequeno, da temperada cidade de Pelotas.
  
Em 1987, chegava ao ponto mais alto do futebol brasileiro um clube chamado Recife, mas que todos, até hoje, chamam de Sport (o nome era Sport Clube do Recife). Em 1991, o Criciúma chegaria incrivelmente ao título da Copa do Brasil, e o Bragantino chegava, também de forma incrível, ao segundo lugar no Campeonato Nacional. No ano seguinte seria o time de maior aproveitamento, sendo considerado uma das grandes potências de então. Em 1993, era a vez do Vitória alcançar esse posto. Em 1996, a surpresa ficaria por conta da Portuguesa.

Depois daí, virou quase uma festa. Em 1999, o Juventude conquistou a Copa do Brasil, segundo mais importante torneio do País. Em 2000, o São Caetano era vice-campeão brasileiro. No ano seguinte, chegaria de novo ao segundo lugar, com o Atlético Paranaense em primeiro. O Botafogo (não o famoso, o da estrela solitária, e sim o de Ribeirão Preto) era o segundo melhor time do estado de São Paulo. Em 2002, o Brasiliense era vice na Copa do Brasil. Em 2004 seria a vez de o Santo André ser campeão deste torneio - para, em 2005, representar o Brasil no mais importante torneio do Continente.
 Santo André: é esse time que será o Brasil no mais importante torneio das Américas?
O Campeonato Carioca hoje segue essa tendência. Se quer saber o nome de alguns times de bom aproveitamento e potenciais candidatos a melhor clube do Rio de Janeiro, anote e decore: Cabo Friense, Americano de Campos, Volta Redonda, Olaria, Madureira e Friburguense.
Você, leitor, leitora, que acompanha ou não o desenrolar do que acontece no nosso dinâmico mundo do futebol; conhece alguma coisa mais que o nome e as cores de metade dos times que citei aqui?
Se sim, duvido.
Escrito por Leon K. às 05h39
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