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CONTRASENSO E MORTE NO CAMPEONATO BRASILEIRO
Que triste ironia... há alguns dias posto um pequeno texto sobre meu gosto por futebol aqui no Cefet e o intitulo Esporte-vida. E no dia seguinte morre um jogador do São Caetano na rodada do Campeonato Brasileiro (S. Caetano x S. Paulo).
Serginho, zagueiro da equipe do ABC paulista sofreu ataque cardíaco em pleno Morumbi, foi socorrido até por jogadores, e apesar de todos os esforços dos médicos do São Caetano e do Hospital São Luiz, em São Paulo, o jogador não resistiu e morreu.
Muitos, partindo daí, aproveitaram para fazer suas críticas. O goleiro do time, Silvio Luiz, disse que "o problema cardíado de Serginho já era de conhecimento dos médicos do São Caetano", embora dissesse que esse problema tinha "1% de chances de se manifestar". Mário Sérgio, ex-treinador da equipe, chega a dizer que "o Azulão foi negligente em não ceder maior atenção a essa questão". Fábio Costa, goleiro do Corinthians, criticou os cartolas, afirmando que "o calendário do futebol brasileiro não é feito para jogadores, e sim para máquinas", devido ao excesso de jogos.
Serginho é daqueles jogadores que viraram ídolos da noite para o dia. No dia seguinte à sua morte, a mídia concentrou todas as suas atenções nesse fato. Torcedores respondiam enquetes e mais enquetes idolatrando essa figura humilde e esquecida do grande cenário enquanto vivo, mas que agora é garantia de saldo positivo nas vendas. E em poucos momentos se vê esse afinamento entre mídia e torcedores. Que bom negócio é a morte. Se dependesse dessa mídia, morriam jogadores de futebol todos os dias.
Serginho estava no auge pessoal de sua carreira, e, aos 30 anos, casado e com uma filha de, salvo engano, 4 anos, Serginho já discutia com a família e com amigos a possibilidade de afastar os campos ao final desse ano, justamente por esse problema. Só lhe faltou um pouco mais tempo.
Sempre falta tempo.
     
 "Alguém disse que meu país conquistou a liberdade..."
Patrocínio
 "Eu sou o presidente da guerra. O povo americano precisa saber que tem um presidente que vê o mundo como ele é."
Pobre mundo.
CONDENADO À LIBERDADE
Ô. Sou louco pra ler esse livro. Infelizmente não consigo acesso a ele por nenhuma livraria ou biblioteca, e muito menos nos sebos que freqüento. O Ser e o Nada é um livro denso e tudo, mas é bem interessante de ler. Só pude folheá-lo umas poucas vezes na casa de um velho amigo Eric, que adorava colocar citações de Sartre em músicas (que nem Humberto Gessinger) e com quem eu até cheguei a topar fazer uma banda. O filósofo, nesse livro, condena o homem a ser livre, nem que isso signifique projetar fins inutilmente.
Ele desenvolve uma explicação total do mundo analisando a sociedade humana. Estuda o abstrato concretamente. E indica a esperança como único meio de sair desse pessimismo absoluto que reina, já que o que haverá de fato será sempre o fracasso.
Há muito tempo corro atrás dessa relíquia (escrita em 1926, base para o pensamento filosófico-existencialista de Sartre). Bom pra quem fará Filosofia, e melhor ainda pra quem só quer adquirir algum conhecimento a mais. Enquanto isso vou ficando com a minha masturbação mental: Agatha Christie, livretos e periódicos.
NOITE CHEIA
Estou cansado. Não digito mais. São quase cinco da manhã, neste momento em que apenas meus dedos mantém-se vivos como ao dia. O resto de meu corpo adormece, vagarosamente.. concluo meus escritos para recolher-me, nessa manhãzinha fria, pra estar de pé daqui a apenas algunas horas. Razão? cumprimento de meu principal dever cívico. rs
Se eu pudesse escolher um instante pra viver eternamente, seria nessas madrugadas. Se pudesse levar comigo um cômodo seria o da sala. Nada melhor que sentar ali no maior breu e escutar músicas gostosas de ouvir (só de madrugada as fm's prestam). Passo horas ali, imutável, sentando numa velha cadeira (porém a mais confortável) escutando Ney Matogrosso, Bob Dylan, incrivelmente, e tantos outro clássicos nacionais e internacionais. Pode-se pensar em tudo, ou em nada. Tempo não falta. Muito menos, um momento mais apropriado!
Madrugada, madrugada, madrugada. Hora de escrever pra uns, de chorar pra outros, de dançar, de ler, de fazer sexo, de conversar, pela internet ou por telefone.. qual outra melhor hora?
Escrito por Leon K. às 06h40
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NADA A VER
Tem gente que pergunta porque fico no CEFET até nove ou dez da noite, se minha aula termina no fim da tarde.. mas pô. O que farei naquele reduto. Só tem a minha mãe lá, falando, falando e falando. Não deixa a pessoa falar, nem ler, nem ver tv, nem nada.
A situação da televisão nem se fala. Tá cada vez mais ridícula. Nem jornais convencionais mais eu assisto. No máximo os da TV Cultura (são os que estão passando na hora em que chego). O Jornal Nacional segue com seu vocabulário de menos de 900 palavras lançando reportagens rápidas sobre economia e política, que não permitem a um telespectador comum (aquele que não vê nem lê outros veículos de informação) raciocinar criticamente sobre o que se passa. Abrem espaço pra que organizações nada ativistas confundam cada vez mais a cabeça das pessoas. Ontem foi exibido em especial no Jornal Nacional um quadro sobre movimentos sociais nos Estados Unidos, e o mais referido foi o Security Mom's, uma organização de mães de combatentes. Quando o repórter pergunta a três delas se preferem Bush ou Kerry no poder, as respostas são: "Bush", "Kerry" e "não sei". tsc tsc tsc, que fracasso... que movimento é esse que não garante unidade de pensamento nem entre seus associados?
De resto, ainda há aquelas novelas, cada vez mais repetitivas, e que continuam a ganhar prêmios pelo mundo (esse mundo está perdido). O que se vê em Senhora do Destino, afinal? Não se há muito o que fazer. O Casseta e Planeta, que já foi um primor da comédia, da sátira, do humor paródico inteligente, hoje se atém a quadros manjados, desinteressantes e (infelizmente) venerados de tal forma que viraram verdadeiros cultos à mediocridade.
Além disso, eu também via o Programa do Jô, talvez o último dos programas inteligentes da Globo, apesar do humor por vezes barato. Poucas coisas restaram, realmente. O Provocações, da TV Cultura, outro prorgama de entrevistas interessantíssimo, muda de horários sempre, e eu nunca lembro. Além disso, tem passado muitas reprises. Na Cultura ainda se vê bons programas musicais também, como o BemBrasil, e o Alto-Falante. Sem falar na Universidade da Madrugada, que às vezes trazem temas interessantes pra discussão.
Afora o bom e velho canal 5 (a Cultura), o que resta são novelas (muitas dubladas...) e chatíssimos realitys shows. É, leitura continua sendo o mais importante pra se adquirir um pouco de personalidade, mesmo na era das imagens.
Disse Jesus: "Porque vim separar ao homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; e os inimigos do homem serão os seus mesmos domésticos" (Mateus, 10:35-36)
Escrito por Leon K. às 09h43
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ALGUÉM TECLA?
É, tem muita gente que não gosta de batepapos. Não à toa: se há um ambiente em que notadamente a maioria das pessoas estão desocupadas, sem nenhum interesse em conversar sério, ou com a simples intenção de atazanar a paciência de outras, são nessas salas de batepapo convencionais.
Eu entrava pouco em salas de batepapos. A partir dos últimos meses passei a entrar mais. E claro, há muito preconceito da parte de outras, argumentadas pelo fato de que não se pode conhecer ninguém interessante pela net. Eu adoro conversar, seja pessoalmente, seja via internet. É uma maravilha. Por que não usar? Deixei de entrar em salas categorizadas por idade. É a pior coisa que tem. Como entrava mais na de Natal, conheci bastante gente próxima. Muitas delas pessoalmente. Às vezes até encontros não convencionais, como quando conheci uma quarentona solteira, e um velho sindicalista ali.
Ainda uso o MSN, também. Com 130 e tantos contatos, fica fácil encontrar alguém pra conversar um pouco. Além disso há essas salas, da UOL. Adoro a sala 'papo-cabeça'. Pelo menos o povo lá se acha inteligente e assim tenta pareecr. Dá pra tirar coisas que estão inculcadas na cabeça das pessoas.
Tem a sala de Natal, ainda, pra conversas mais despretensiosas, ou pro caso de conversar com alguém mais próximo. Há os canais da BrasNet, um programa que permite conversar diretamente com várias pessoas, divididas por assunto. Aí falo em canais de política, de filosofia, o canal daqui do Cefet, converso com todo mundo.
Nada melhor que a interação. Como animais sociais temos que aproveitar esse veículos que nos permitem mais contatos com outra pessoa. E a quem quiser conversar comigo à vontade, e que tenha msn fiquem à vontade: lknunes@msn.com
DO ESPORTE-VIDA
Sabe de uma coisa? Esporte é demais. Aqui pelo Cefet tamos tentando viabilizar uns jogos de futsal. Se tem uma coisa que marcou minha vida nessa escola, nesses 4 anos em que lá estudo, foram os Jogos. Acho que todo moleque devia participar de um torneiozinho, nem que seja na própria escola. É muito bom, você jogar sem mais preocupações.. no primeiro ano do ensino médio, por aqui, eu e minha turma jogávamos todo fim de tarde (era horário de verão, e o céu claro durava mais tempo) no campo que fica aqui por trás.
Nos segundo e terceiros anos, uma pelada era de regra. Todo dia, rigorosamente, eu vinha com um calção por baixo das calças. Bastava um horário vago (ou um horário que eu considerasse vago) pra que estivéssemos lá, eu e os caras da minha turma, como o corredor polonês Papa-Léguas, que há semanas atrás viraria papai (post Nada é Fácil - 15/09) e com o crente Marquinho, além do Victor-PassoLargo. Hoje ninguém mais joga. No CEFET os calouros só pensam em jogar vôlei, ou qualquer coisa como xadrez. Claro que quanto mais esportes praticados, melhor.Mas nem se pensa mais em bola no pé. E a tradicional rivalidade, como já era cultural, entre as turmas, não existem mais. Uma pena.
Nesse novo torneio há menos de dez turmas inscritas. Isso indica bem o quão esse campeonato já tá reduzido. (há apenas dois anos um torneio rendeu mais de 50 equipes). Do pessoal que entrou no Cefet na última geração que valeu a pena (a de 2001 - e que já está na universidade) ainda há uma equipe, de uns 5 alunos dependentes em Física. Os últimos dos mohicanos. Eu tô dentro. Vai ser bom pra matar as saudades dos bons tempos.
"O esporte não forma o caráter. Apenas o revela." desconhecido
Escrito por Leon K. às 10h10
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DECEPÇÃO COM O PT?
Virou corriqueiro, natural, trivial até, dizer, hoje, que o PT decepciona a todos. É algo que nem se questiona mais: o partido mudou, caiu nas mãos de uma burguesia nacional conservadora, abandonou suas posições de interesse da classe trabalhadora, e o governo Lula "se vendeu". Admitir isso é ter um vago, razoável conhecimentosobre a atuação do PT, apenas, desconhecendo suas origens. Vou fazer um breve histórico (se eu me ater demais, desculpem; tenho esse problema), na verdade um esclarecimento. Talvez pareça surpreendente. Mas é a verdade ignorada:
Nos últimos anos da década de 1970, a linha-dura militar perdendo força na ARENA e surgindo os primeiros movimentos pela redemocratização (Congressos da UNE e de outras entidades, por exemplo), uma mobilização começou a chamar a atenção da sociedade: eram as greves dos metalúrgicos do ABC paulista, maior concentração de operários do País. Os trabalhadores organizavam assembléias vigiados até do céu pela ditadura, desafiavam os mais radicais de direita e mantinham-se firmes na defesa de seus interesses. A repressão ainda existia, embora enfraquecida. Vários líderes foram presos, inclusive o mais famoso deles: Luís Inácio da Silva, hoje o Lula, Presidente da República.
 Lula: depósito de confiança e submissão ao regime
O crescimento do interesse popular pela vida política do país fez a ditadura abrir os olhos: já era planejado naquele momento uma abertura política gradual, que findaria pela reorganização de velhos partidos esquerdistas de vanguarda, inclusive o Partido Comunista, como seria inevitável. Então no poder em quase 2/5 dos países, o movimento comunista internacional estava enfraquecido por diversas razões, mas ainda era força frente a qualquer país capitalista.
Temerosos que a volta do Partido Comunista do Brasil (PCdoB - O PCB, Partido Comunista Brasileiro, já estava com uma atuação diminuta nessa época) à legalidade pudesse render-lhe uma onda de de filiações de novos militantes, inclusive líderes sindicais, estudantis e intelectuais, a Ditadura tinha que planejar efetivamente um plano para enfraquecer o marxismo no Brasil. Naquele momento de agitação popular, se o Partido Comunista voltasse a cena, certamente a luta política travada seria bem mais 'quente', mais decisivo. O PCdoB cresceria muito naquelas condições promissoras.O pensamento da elite era: aglomerar o seio mais progressista da sociedade numa organização não-revolucionária, que não pretendesse mudar a sociedade; que lutasse por direitos, mas não pela queda do regime.
A partir daí, foi só colocar na prática: quando Lula recebeu uma carta do PCdoB (recebeu mais de uma, na verdade; todas recusadas) para que ingressasse em suas fileiras, ele apresentou a lideranças políticas do governo Geisel essa proposta, afim de mostrar a sua força política aos velhos militares para que começassem a rosnar menos contra aquela figura extremamente carismática que hoje se tornou presidente.
Nessa época, ainda, de greves no ABC, o Lula começou a ter várias sessões de discussões com assessores do governo Geisel. Depois de meses de discussões, surgiu para a sociedade uma proposta convidativa: Lula e diversas personalidades populares estavam se unindo para formar um Partido popular, de esquerda, em defesa do povo. Seu programa publicava a intenção do partido de ser o mais amplo possível, aglomerando todos os segmentos da sociedade nessa organização. O nome era perfeito: Partido dos Trabalhadores. Algum nome melhor praquele contexto?
Estava feito: a idéia havia atingido o âmago popular: o PT rapidamente se tornou uma fração considerável. Em termos eleitorais, o Partido em pouco tempo seria força. Com os setores mais à esquerda da sociedade num partido social-democrata, estava tudo fechado: a democracia agora teria caminho aberto. Poucos anos depois, o Partido Comunista ingressava à legalidade, saía do buraco, mostrava as caras. Mas não havia mais o que conquistar. A União Soviética tava numa crise, a ideologia perdia força em vários países, e no Brasil ninguém tava afim de entrar num "novo" partido. O PCdoB, que tinha 350 mil filiados em 1964, no ato do golpe militar, voltava à legalidade vinte anos depois com um efetivo de alguns milhares de militantes, apenas. Até hoje o Partido não conseguiu cobrir isso: segundo TSE, o PCdoB tem cerca de 160 000 filiados.
Isso não foi um evento brasileiro, apenas. Foi um fenômeno internacional, a substituição da foice e do martelo pela estrelinha. Nos países africanos, onde a URSS atuava, haviam movimentos dissidentes de esquerda, fora da esfera de influência russa que já a utilizava como símbolo. No Leste Europeu, os países, apesar de ainda se manterem socialistas, mudavam a orientação política. Na própria União Soviética, vários erros foram cometidos. O mais forte dele se deu quando Kruschev chegou ao poder, com a morte de Stalin. A primeira coisa que fez foi publicar supostos arquivos em que Stalin mandava matar milhões de dissidentes, condenava agricultores à fome e enfraquecia o próprio Partido, o próprio país. Eram realmente ingênuos de publicar mentiras crendo que aquilo fosse atingir o movimento de esquerda. Mas o problema da ingenuidade não era deles. E sim de muitos militantes, que racharam quase todos os partidos do mundo (no Brasil ocorreu aí o racha PCB-PCdoB). Depois disso, poucos países mantiveram-se fiéis ao stalinismo. A Albânia de Hoxda foi o último país a defendê-lo. Depois de Stalin, a URSS iniciou a corrida armamentista, preocupava-se com suas bombas nucleares, empobrecia a teoria marxista e sucumbiu ao próprio aparelho de estado, burocratizado até a alma. (na URSS tudo era estatal: desde as grandes fábricas até cadeiras de engraxate. Essa estatização geral levou à quebra do aparelho - é um exemplo que a China tenta superar mesclando propriedades estatais de empresas, com permissão de alguns bens pessoais)
 Stalin, a figura mais incompreendida do século XX
Enfim, estudando o passado, compreende-se perfeitamente o presente. O PT tem no seu programa a defesa dos interesses nacionais, a criação de um estado de bem-estar social. Apenas tentar amenizar problemas sem solução. Tá lá no programa deles, que não me deixa mentir. Quem quiser ver, vá ao site do Partido. Não adianta reclamar. Pouca coisa vai mudar com o Lula. As coisas vão melhorar; isso é inegável. Mas será invisível mesmo aos olhos de quem não quer ver. O PT saiu do gabinete de Geisel. Não espere revolução de um partido desse.
Escrito por Leon K. às 11h38
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SEMPRE A COCA
Uma cidade argentina ali proibiu a venda de CocaCola, devido à recusa da multinacional em pagar uma pequena taxa tributária, que corresponde a US$ 0,10 por litro, para poder comercializar seus produtos em La Rioja, capital da província de mesmo nome.

A Coca-Cola é famosa por seus problemas com questões legais onde a empresa está instalada, como no caso da fábrica filial de El Salvador que utilizava crianças como mão-de-obra na extração de cana de açúcar. No Brasil, uma instância do Ministério da Justiça também tem processo correndo contra a multi, investigando algumas atitudes da Coca-Cola com o intuito de barrar a concorrência, cotatando empresas fornecedoras a não venderem refrigerantes a concorrentes, por exemplo.
A Coca-Cola é símbolo de tudo. Além de ser marca registrada do capitalismo, é um exemplo claro de uma multinacional preocupada apenas com seus ganhos e suas remessas em detrimento do povo (mesmo aqueles que a consomem)
FESTIVAL
O maior festival comercial-alternativo do RN está pra acontecer em sua quarta edição. Ao que consta, será no final de novembro esse ano (geralmente é no início de outubro, o que fazia crer que não teríamos edição esse ano). Pitty e Detonautas têm presença marcada, com data e tudo. Mas eu ainda espero mais: apesar de serem bons nomes surgidos nos últimos anos, não sustentam um festival do porte do Jerimum.
Nas outras duas edições, dentre os próprios Detonautas, o evento trouxe várias bandas do circuito comercial, como RPM, Titãs, Skank, Capital Inicial e Los Hermanos. É sem dúvida, a melhor oportunidade pra que os potiguares possamacompanhar o trabalho dessas bandas, já que essa irrisória província turística que é Natal nem sempre tá na rota das turnês. O recém-criado Festival de Verão de Natal também será outro evento destinado a trazer figuras de renome (esse ano, além dos mesmos Titãs, trouxe Charlie Brown Jr., Kid Abelha e Biquini Cavadão).
Tamos à espera de velhos e bons nomes. Só assim pra esse festival continuar grande. Depois falo mais sobre.
Escrito por Leon K. às 10h21
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SURFANDO KARMAS
Uma forma de expressão eficiente? Que seja por meio de palavras. E poucos são os que dizem tanto em tão pouco quanto Humberto Gessinger, sempre belas citações travestidas numa canção gostosa de ouvir (ou de curtir, se for o caso).
 "Sei que parecem idiotas as rotas que eu traço Mas tento traçá-las eu mesmo."
Infinita Highway, exemplo clássico. Uma das minhas músicas favoritas, uma das mais conhecidas e cultuadas dos Engenheiros, fala em setenta e seis versos, todos muito bem organizados, de tudo: da vida, de comportamento, de expectativas, de desilusões, enfim. É uma verdadeira carta-testamento. Com vocês, a obra-prima dum dos grandes poetas surgidos na geração oitentista do rock nacional (e que ainda não têm sucessores):
INFINITA HIGHWAY
Você me faz correr demais Os riscos desta highway Você me faz correr atrás Do horizonte desta highway Ninguém por perto, silêncio no deserto, Deserta highway Estamos sós e nenhum de nós Sabe exatamente onde vai parar
Mas não precisamos saber pra onde vamos Nós só precisamos ir Não queremos ter o que não temos Nós só queremos viver Sem motivos nem objetivos Estamos vivos e isto é tudo É sobretudo a lei Da infinita highway
Quando eu vivia e morria na cidade Eu não tinha nada, nada a temer Mas eu tinha medo, medo desta estrada Olhe só! Veja você Quando eu vivia e morria na cidade Eu tinha de tudo, tudo ao meu redor Mas tudo que eu sentia era que algo me faltava E, à noite, eu acordava banhado em suor
Não queremos lembrar o que esquecemos Nós só queremos viver Não queremos aprender o que já sabemos Não queremos nem saber Sem motivos, nem objetivos Estamos vivos e é só Só obedecemos a lei Da infinita highway
Escute garota, o vento canta uma canção Dessas que a gente nunca canta sem razão Me diga, garota: "Será a estrada uma prisão?" Eu acho que sim, você finge que não Mas nem por isso ficaremos parados Com a cabeça nas nuvens e os pés no chão Tudo bem, garota, não adianta mesmo ser livre Se tanta gente vive sem ter como viver
Estamos sós e nenhum de nós Sabe onde quer chegar Estamos vivos sem motivos Mas que motivos temos pra estar? Atrás de palavras escondidas Nas estrelinhas do horizonte Desta highway(?) Silenciosa highway
"Eu vejo um horizonte trêmulo Tenho os olhos úmidos" "Eu posso estar completamente enganado Posso estar correndo pro lado errado" Mas "A dúvida é o preço da pureza" É inútil ter certeza Eu vejo as placas dizendo "Não corra" "Não morra", "Não fume" "Eu vejo as placas cortando o horizonte Elas parecem facas de dois gumes"
Minha vida é tao confusa quanto a América Central Por isso não me acuse de ser irracional Escute garota, façamos um trato: "Você desliga o telefone se eu ficar muito abstrato" Eu posso ser um Bealte Um beatnik, ou um bitolado Mas eu não sou ator Eu não tô à toa do teu lado Por isso garota façamos um pacto: "Não usar a highway pra causar impacto"
Cento e dez Cento e vinte Cento e sessenta Só pra ver até quando O motor aguenta Na boca, em vez de um beijo, Um chiclet de menta E a sombra de um sorriso que eu deixei Numa das curvas da highway
Escrito por Leon K. às 16h32
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DEUS NO CÉU E O PAPA NA TERRA (triste do catolicismo)
Alguém viu? A Sua Santidade, o Papa, completou no último sábado nada menos que vinte e seis anos à frente da maior instituição de nossa sociedade: o cristianismo.
Modéstia típica do que pregava Cristo não foi nada característico das comemorações do dia 16, onde até o tradicional Coral de Moscou, criado em 1928 pela Revolução para desenvolver o ímpeto artístico do povo russo, tão contido no anterior regime czarista, semiteocrático. Agora cantam praquele que até poucos anos atrás não os reconhecia.
O Papa segue na sua pretensão de manter sob sua égide seus fiéis, com a mesma intransigência de sempre. Mesmo condenando o homossexualismo, renegando o movimento autônomo de mulheres e sem reconhecer avanços científicos, como o de Galileu (sem reconhecer o próprio Galileu como cientista), o Papa mantém-se como um dinossauro, e o catolicismo, como toda religião, segue na sua metafísica típica, parada no tempo.
"É Deus quem me pede pra continuar", diz, com notável hipocrisia. E a gente finge que acredita. Em que outro lugar, um velhinho de 83 anos, sofredor do mal de Parkinson, e com todas as restrições da idade, procuraria mais conforto e segurança praqueles que podem ser seus últimos dias? O Papa hoje não faz mais que visitar alguns países aqui e ali, fazer alguns pronunciamentos embaixo dos holofotes, e rezar, como eu mesmo disse há dois meses, no post "Papa reza pedindo chuva na Europa".
O Papa poderia fazer mais pra tentar impor suas idéias às cabeças desavisadas. Aqui, a Rosinha e o Garotinho foram mais adiante: tornaram o ensino criacionista obrigatório nas escolas cariocas.
A TENTAÇÃO UNILATERAL
A Veja não aprende. Há dois meses atrás eu também criticava a revista por mais uma de suas tendenciosas matérias, A Tentação Autoritária, em que acusa o governo Lula de estar levando o País a uma nova ditadura, devidos a suas "atitudes arbritrárias". Não é a primeira vez que a revista faz sensacionalismo e tenta moldar seus leitores de acordo com seu posicionamento. Mas é pena que esta prática ainda pareça perdurar (sem horizonte de mudança).
Agora a publicação lançou uma matéria intitulada A Revolução no Escuro, Internacional, em que ignora as conquistas sociais que a Revolução Cubana trouxe e culpa o regime pela crise energética pela qual passa o país esses dias, sem levar em conta fatores econômicos como o histórico embargo norte-americano, que impede mais desenvolvimento ao país de Fidel.
Mas dessa vez, a Ilha também se manifestou: o embaixador de Cuba no Brasil, Núñez Mosquero, enviou uma carta à direção da revista repudiando a matéria, respondendo às críticas da reportagem, e exaltando as vitórias cubanas. E pede também que a revista publique-a na próxima edição. Eu duvido que a revista a publique, naturalmente. Unilateralidade e arrogância, além de mentiras e deturpações são marcas registradas dessa pobre e conceituada revista.

"JOHN KERRY PARA PRESIDENTE"
Uma dos mais conhecidos diários do mundo, o The New York Times pediu abertamente votos para o candidato John Kerry, nas eleições presidenciais americanas.
Em editorial, a edição deste domingo avaliou o governo Bush de "desastroso" e chamou os votos entusisticamente no candidato do Partido Democrata, organização historicamente ligada ao NYT. Diferentemente das publicações brasileiras, que não expressam abertamente posicionamentos eleitorais, o vários outros jornais americanos também chamaram votos em algum candidato. Também há os que apoiam Bush, sobretud Flórida. Entre outras conhecidas publicações, The Los Angeles Times e The Wanshington Post ainda não têm candidato preferencial.
Javis Tyner, vice-presidente do Partido Comunista dos Estados Unidos: "83% dos negros vão votar nessas eleições".(fatal para Bush)
Levando em conta argumentos como a Guerra do Iraque, o desrespeito às liberdades civis e os baixos investimentos de cunho social, como na educação e na saúde, o NYT, assim como muitos outros veículos pelo mundo afora, compreende a necessidade urgente da derrota de Bush e desse governo tão arbitrário, tão desafiador do progresso humano. E chama o voto em Kerry, salientando que o democrata "oferece mais do que uma simples alternativa ao status quo".
John Kerry tem também o apoio de parte da (historicamente fraca) esquerda americana, Inclusive do Partido Comunista dos EUA.
DO FIM DE SEMANA
Esse fim de semana só fiquei lendo coisas na net, mal saí de casa. Veria Zeca Baleiro ontem, mas não deu. Adiaram de última hora, parece. E o site do local, a Cidade da Criança, é igual a uma criança típica. Não disse nada e ainda me deixou perdido.
Mas ontem eu vi a luz do dia. Apesar de ter programado o domingo pra ficar em casa venerando o ócio, teve uma menina na net que me chamou pra ir ali. Pelo menos me tirou de casa. Ela tava afim de pouca coisa (as meninas sempre estão afim de pouca coisa). Eu veria um filme, se houvessem opções. Passei a maior parte do tempo fazendo o que já faço em casa. Lendo. tsctsc. Jean-Paul Sartre em Noventa Minutos foi o que li, uma biografia sintetizada mas bem interessante do filósofo reprodutor do "existir é viver para a morte".
E na saída ainda vi outra colequinha do Cefet. Tava meio abatida, tinha perdido o pai, um dia desses, tava mal com o namorado. Não sei como é isso, não tenho essa ligação toda com a família, e também não tive pai, já que ninguém ousou me registrar como tal. Melhor assim: já basta minha mãe pra dizer que esperava mais de mim.
Tomara que essa garota revitalize-se.
Escrito por Leon K. às 12h08
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