O Elogio Ao ÓCIO
 

A morte do Super.gif (29772 bytes)

    Dia desses morreu outro grande ícone do cinema. Memória viva de mais de uma geração. Um dos raros casos em que o intérprete adquire para si a imagem do personagem. Christopher Reeve, o eterno Super-Homem, o que fez nascer e morrer nas telas o maior super-herói já criado, sofreu um ataque cardíaco fatal, aos 52 anos, essa semana. Depois de anos imobilizado por uma queda de cavalo, Reeve resistiu como pôde, sendo exemplo claro dos progressos científicos no campo da recuperação de tetraplégicos.

     Eu, particularmente, não tenho lembranças de muitos filmes de Reeve. Alguns aqui e ali, mas naturalmente As good as this movie is, it just is not the best, but it was the first.tenho fixado na minha cabeça a sua atuação representando o herói de Kripton. Há muito tempo Reeve já não interpretava o Super-Homem, apesar de tudo. O último filme da série (SuperMan !V - Em Busca da Paz) data de 1979. Nos anos 90, surgiram pequenos seriados caça-níqueis para representá-lo. Também vieram a SuperGirl e o SuperBoy pra tentar compensar um pouco a ausência do astro principal. No seriado Smalville, onde atua hoje o SuperBoy, o Reeve também já fez algumas participações.

     O velho sonho de levar SuperHomem ao cinema ainda existe, a gente sabe. Planos de colocar o herói azul-e-vermelho nos telões seriam sempre bem-vindos. Sem Christopher Reeve, o Super-Homem não desaparecerá. Mas perderá um pouco da sua magia.

 


     QUEM FINANCIA BAIXARIA É CONTRA A CIDADANIA

     Pra Domingo está marcado o Dia Nacional Contra a Baixaria na TV. Das 15 às 16 horas, a população será mobilizada a desligar seus aparelhos de tv como forma de protesto contra a programação altamente repudiante que reina hoje na nossa televisão.

     Durante uma hora, manter o televisor apagado será um tapa na cara daqueles que fazem a tv, uma mostra clara de que, ao contrário do que alardeiam apresentadores e outros produtores, que dizem que "é disso que o povo gosta".

     Seria no mínimo prudente a adesão de todas as pessoas a esta campanha. Mais do que prudência, é uma forma de cidadania. Afinal, Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania.

Baixaria na TV 1

 


A Revista Princípios, cuja leitura é mais abrangente (infelizmente) em setores da esquerda, analisa diversos aspectos (de ordem geopolíticas, econômicas, sociais e teóricas) à luz de vários intelectuais e nomes políticos, desvendando o que ainda resta de dúvidas sobre a tendência de guerra permanente empreendida pelo governo Bush, e seu puro interesse em ganhos próprios, 'bem mostrada na completa sem-cerimônia que é a sua atuação e seu diálogo com outros países.

     Colocar-se contra a eleição de Bush nos States não é apenas fazer uma escolha qualquer. É tão importante ser contra Bush como ter uma posição política aqui no Brasil. Kerry realmente não é o melhor homem do mundo (também representa as elites, assim como Bush). Mas é um candidato com posições bem mais tolerante, mais diplomático. É definitivamente o único com condições de barrar Bush e sua sede de sangue.

     Essas eleições norte-americanas definem seus rumos. Um deles, nós já sabemos, é o caminho da mentira, da arbitrariedade e da guerra. Ao contrário de 140 anos atrás, quando Abraham Lincoln vencia as eleições de 1864 e permanecia na sua luta contra a aristocracia contra a organização escravocrata da sociedade. Em novembro daquele ano, Karl Marx, expressão maior do movimento comunista mundial, em nome da antiga Associação Internacional de Trabalhadores (Ou I Internacional - depois dela viria mais três), saudando sua profunda admiração pelo "filho honrado da classe operária", que assumia pela segunda vez seguida a presidência na América. Ainda cogitava a possibilidade de a guerra conduzir a sociedade a um novo caminho, de dominação operária, a despeito do regime aristocrata vigente.

     Infelizmente, Marx e os outros teóricos do socialismo de então estavam otimistas demais em relação ao futuro dos Estados Unidos. Após aquela guerra, os americanos não iriam determinar o fim da era de dominação burguesa. Iriam viver uma era de prosperidade econômica que os levou a superar, gradativamente, as potências européias, e de depositários das esperanças operárias e socialistas passariam a ser o símbolo maior da opressão e da injustiça no mundo moderno.



Escrito por Leon K. às 11h08
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      A VERDADE, NUA E CRUA (e pateticamente engraçada)

     Dia desses assisti a Fahrenheit 11 de Setembro. E é um documentário espetacular. Extremamente irônico, o Michael Moore ridiculariza de tal forma o alto escalão do governo americano que todas as piadas que se fazem pelo mundo a esses personagens viram fichinha perto do que fazem nessa produção. Nela são desmascaradas as conexões da família Bush com a Bin Laden, as ligações do governo ianque com multiempresários sauditas (inimigos e "amigos" dos americanos), e todo o descaso do governo para com sua população mais carente, jogando os jovens sem perspectivas nas guerras pelo Oriente são esclarecidos, e oferecidos (jogados é a melhor palavra) pra quem quiser ver, com provas irrefutáveis, vericidade à flor da pele.

     Era um filme que penso que devia ser exibido em horário nobre, para que todas as pessoas pudessem realmente descobrir o que está por trás das medidas americanas. Algumas publicações (brasileiras também, como a conservadoríssima Veja) publicaram que assim como o governo americano aliena a população em torno da exaltação nacionalista para justificar as medidas tomadas, o filme também aliena a descrença na política americana. Brincadeira. O filme mostra nada mais que a realidade. Às vezes parece não tratar o tema com a necessária seriedade, mas o filme é de uma seriedade que chega a assustar, se alguém realmente entender o que está se passando ali. Pô, aquilo é real. Difícil acreditar, pra uma pessoa que assiste, mas não acompanha o andamento histórico, e pra quem esse filme cai de pára-quedas.

     Uma pena que um dos povos mais patriotas do mundo creditem todo seu sentimento nacionalista à onda paranóica que vez por outra ronda o país. Antes contra o comunismo, agora contra o terrorismo. Boa parte do filme se atém a mostrar uma senhora que por amor ao país orgulha-se de ter tido vários parentes militares, muitos deles mortos em guerra, embora seu filho tenha perdido a vida recentemente (foi um dos primeiros a morrer no Iraque). Soldados que serviram no Iraque e voltaram disseram que nunca mais aceitariam uma convocação, ainda que tivessem de sofrer conseqüências. Mesmo assim, militares americanos continuam à caça, e todo dia uma equipe aborda jovens nas ruas oferecendo-lhes oportunidade de se alistarem e se tornarem fuzileiros. Jovens que sonham ser jogadores de basquete, músicos, e toda sorte de carreiras, pra morrerem numa guerra patética.

Como diz um velho ditado texano, citado por Bush: "se eu me enganar uma vez, azar o seu" - "pela primeira vez concordamos", alardeia Moore.

     Esses americanos ainda vão aprender. De uma forma ou de outra, a produção foi premiadíssima. Ao que consta, foi o segundo documentário da história a ganhar o Festival de Cannes (o primeiro desde os anos 50). E o único documentário a liderar o ranking de bilheterias na América. Parabéns ao Michael Moore. Ele fez por onde merecer.


"Os privilegiados... os mais privilegiados. Esses a quem chamam de elite, eu chamo de minha base de apoio."


     MORTE AOS MATADORES

     E nesse sábado eu vi Kill Bill Vol. 2. É a seqüência do filme de Tarantino, lançado no primeiro semestre, onde a belíssima noiva (cujo nome só se conhece no segundo filme - no primeiro se referem a ela como "a noiva"), estrelada por Uma Thurman (que boquinha linda) segue com seu desejo íntimo de aniquilar quem quer que seja para chegar até o mandante de tudo, o célebre Bill, com quem ela teve relação íntima, embora ele tenha mandado, por certas razões, uma trupe pra matar a nossa protagonista, a cuja atitude ela tenta reverter com sua gana de vingança, bem mostrada nos 450 galões de sangue falso jorrado nos dois filmes.

     Um filme espetacular. Que ninguém vá assistir pela sinopse (até porque ao ler a sinopse do primeiro filme, eu não pagaria pra ver um enredo tão manjado - só fui assistir por falta de opções na época). Mas é super-original, pra um filme de ação. Sensacional. E que não se espere nada igual a esses filmes de ação da Globo.


           "Kill Bill" é seu lema

     Quando cheguei em casa, minha mãe tinha alugado o dvd SWAT. Mas pra quem viu Kill Bill horas antes... é melhor deixar pruma próxima vez.



Escrito por Leon K. às 04h02
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SOBRE AS ELEIÇÕES

     Ontem foi tranqüilo. Apesar das eleições, acordei tarde, lá pelas 9h. Pra quem ia fazer uma boca-de-urna, não foi boa idéia. Depois de deixar a minha mãe lá na zona dela, fui ver minha irmã e votar. Até que esse ano foi tudo bem tranqüilo. Diferente de todo o auê da última eleição.

     Depois disso, tinha o dia todo livre. Como não tinha ninguém na boca-de-urna pra me passar os materiais, peguei a moto e me mandei pela cidade, pra aproveitar esse dia. Fui a uma livravia, à praia, e fui na casa de meu amigo Fábio chamá-lo pra ver um filme (não deu, ele ia esperar - como todo dia - um aniversário).

     À noite só pude acompanhar a apuração para os candidatos, e, para minha surpresa, o prefeiturável Miguel Mossoró, figura já folclórica da nossa política, que promete obras faraônicas, como a ponte Natal-Fernando de Noronha (o arquipélago seria um bairro de Natal) e a construção das nossas Torres Gêmeas (nosso arranha-céu chamar-se-ia Natal Trade Center), além de aparecer numa propaganda eleitoral vendendo seu projeto de governo a um tal Sheik Abdul não-sei-o-que, para a reconstrução de Bagdá. Criatura aberrante, virou símbolo de amor e ódio, venerado e escurraçado. divergências à parte, o candidato mais cômico das eleições em Natal barganhou nada menos que um quinto do eleitorado: foram quase 70 000 votos, 18% do total, creditados em favor de Miguel Mossoró.

     É realmente inacreditável que o povo tenha se disposto a fazer crescer o nome dessa figura. Nas prévias, seu índica aponta 1, 5, 10, 12%. Geralmente não se vota nesses candidatos pequenos por se saber que eles não irão longe. Talvez pelo fato de Miguel Mossoró ter se inserido na briga pelo segundo turno, fez com que os eleitores confiassem nele o voto, como um "voto de protesto". É, o voto de protesto virou moda. É bom que se tome cuidado. Protestar contra um regime não é ficar alheio a ele.

     Eu realmente me surpreendi com o alto índice de votos do Sargento Miguel. Seria arriscar-se demais, submeter a cidade às mãos desse beberrão que certamente gostaria de dar uma de tirano. Seria idolatrado na posse, pra depois fechar a Câmara dos Vereadores, cortar diálogo com qualquer segmento social, e ser afastado do governo, com ampla mobilização popular, sendo escurraçado pela massa. Já tava vendo.

     No geral, realmente não deu. O PCdoB infelizmente não saiu beneficiado dessas eleições, perdendo as disputas em Fortaleza e Manaus. Mas a esquerda, em geral, se saiu muito bem. A despeito de algumas cidades importantes, como Rio de Janeiro e Curitiba, no geral, o PT e os partidos aliados saíram bastante fortalecidos dessa etapa. O PT, PPS, PSB, PDT e PCdoB aumentaram significativamente o número de prefeitos, com queda dos partidos conservadores tradicionais, como o PMDB, o PSDB e o PFL, embora ainda sejam os maiores. Só o PSTU, o PCB e o PCO não elegeram prefeito algum. O PAN (Partido dos Aposentados da Nação) elegeu um prefeito, e a oposição de direita PRONA elegeu quatro deles.

     O negócio é seguir em frente. E ter em mente que democracia não é só votar. É participar do processo de decisões. Mas tudo bem, eu não sou conselheiro nem nada.

     Só aproveitando que falo de eleições, e como eu disse aqui que estava candidato à presidência do Grêmio do CEFET, eu realmente fui eleito, numa eleição onde votaram mais de mil estudantes e com a diferença de apenas onze votos entre a nossa chapa e a concorrente. Com um discurso bastante oportunista contra nossa gestão, e com disparates de alguns professores (que, por ordem da direção, se colocaram contra a gente - nós os peitamos demais nos últimos quinze meses), foi bastante difícil pra gente conseguir consolidar a quinta gestão consecutiva da UJS no grêmio. Mas nós conseguimos, e agora serão mais um ano difícil, de vitórias, superando os retrocessos, sempre com a paixão que move a juventude rumo a suas conquistas.

     Abração a todos que aparecem!



Escrito por Leon K. às 14h12
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